Mesmo com a ampliação da redução dos impostos federais, combustível ficou mais caro em outubro. Especialistas apontam que petróleo, dólar e duração do benefício tributário serão determinantes para os preços nas próximas semanas.

O preço da gasolina registrou alta de 0,92% na prévia da inflação de outubro, divulgada nesta sexta-feira (23 de outubro de 2026), aumentando as preocupações dos consumidores sobre possíveis reajustes após o segundo turno das eleições, marcado para domingo (25). Segundo análise publicada pela CNN Brasil, o comportamento dos preços dependerá principalmente das cotações internacionais do petróleo, da variação do dólar e das decisões do governo sobre a continuidade dos benefícios tributários.

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15), considerado uma prévia da inflação oficial brasileira, apresentou avanço de 0,32% no período, resultado inferior aos 0,43% esperados por analistas consultados pela Reuters.

Enquanto a energia elétrica e as passagens aéreas ajudaram a conter a inflação, os combustíveis exerceram pressão sobre o indicador. A gasolina ficou mais cara mesmo após a ampliação das medidas de desoneração adotadas pelo governo federal.

Redução dos impostos ainda pode influenciar os preços

Em outubro, o governo federal ampliou o benefício tributário aplicado à gasolina A, combustível comercializado antes da mistura com etanol.

A desoneração passou de R$ 0,63 para R$ 0,89 por litro, representando um aumento de R$ 0,26 no benefício tributário.

Segundo André Braz, economista do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV/Ibre), a ampliação equivale a aproximadamente R$ 0,18 por litro de gasolina comercializada nos postos.

Caso o benefício seja integralmente repassado ao consumidor, a medida poderá reduzir a inflação em cerca de 0,14 ponto percentual.

Entretanto, esse impacto ainda não pode ser considerado totalmente refletido no IPCA-15 de outubro.

A pesquisa de preços utilizada no indicador ocorreu entre 16 de setembro e 14 de outubro, enquanto a ampliação da desoneração foi anunciada apenas em 9 de outubro.

Dessa forma, parte dos efeitos da medida poderá aparecer nos próximos levantamentos, conforme os postos renovem seus estoques e ajustem os preços de comercialização.

Petróleo acima de US$ 116 aumenta pressão sobre combustíveis

Outro fator que poderá influenciar os preços da gasolina é a valorização do petróleo no mercado internacional.

Na sexta-feira (23), os contratos futuros do petróleo Brent ultrapassaram US$ 116 por barril, alcançando o maior patamar em seis meses.

Como essa valorização ocorreu após o encerramento da coleta de preços do IPCA-15, seus possíveis efeitos ainda poderão ser observados nos próximos indicadores de inflação.

Entretanto, a elevação do petróleo não provoca necessariamente um reajuste imediato e proporcional nos postos.

De acordo com André Braz, a formação dos preços também depende da cotação do dólar, dos valores internacionais da gasolina, dos custos de importação e das decisões comerciais das refinarias.

Isso significa que diferentes fatores podem atuar simultaneamente, aumentando ou reduzindo a pressão sobre os combustíveis comercializados no Brasil.

Governo estima impacto de R$ 3,6 bilhões nas contas públicas

A manutenção dos benefícios tributários também envolve consequências para a arrecadação federal.

Segundo informações apresentadas pela CNN Brasil, o Ministério da Fazenda estima um impacto de R$ 3,6 bilhões em 2026 com as medidas relacionadas à gasolina e ao etanol.

O governo afirma que receitas extraordinárias provenientes do setor de petróleo serão utilizadas para compensar esse custo.

Entretanto, Juliana Inhasz, professora de economia do Insper, destaca que a confirmação dessa compensação dependerá dos valores efetivamente arrecadados e das despesas realizadas.

A economista também considera importante acompanhar os preços praticados pelas refinarias, distribuidoras e postos para verificar quanto da redução tributária chega efetivamente ao consumidor final.

O que pode acontecer com a gasolina após as eleições?

Apesar da proximidade do segundo turno, não existe uma relação automática entre o resultado eleitoral e a alteração dos preços dos combustíveis.

O comportamento da gasolina nas próximas semanas dependerá da combinação de fatores econômicos, decisões tributárias e condições do mercado internacional.

De um lado, a valorização do petróleo e eventuais oscilações cambiais poderão pressionar os preços. De outro, a continuidade da desoneração federal e possíveis repasses ainda não realizados poderão contribuir para limitar os aumentos.

O principal ponto de atenção será a decisão sobre a prorrogação ou o encerramento do benefício tributário, inicialmente previsto para durar 30 dias.

Para os consumidores, acompanhar os levantamentos de preços, observar as decisões do governo e comparar os valores praticados nos postos continuará sendo importante para o planejamento das despesas.

A alta de 0,92% registrada no IPCA-15 demonstra que os combustíveis permanecem entre os componentes que pressionam a inflação brasileira. No entanto, ainda não é possível afirmar se a gasolina ficará mais cara ou mais barata após as eleições, uma vez que seu preço dependerá da evolução conjunta dos fatores econômicos e tributários.

Fonte: CNN Brasil


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