Levantamento da ANP aponta preço 5% inferior à média nacional; aumento da produção, consumo estável e concorrência entre postos ajudam a explicar a diferença.

O Rio Grande do Sul registra o menor preço médio da gasolina entre os estados brasileiros, com o litro comercializado a R$ 6,16. O valor está abaixo da média nacional de R$ 6,49, conforme levantamento da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), divulgado em reportagem do portal GZH nesta sexta-feira (30 de outubro de 2026).

A diferença de R$ 0,33 por litro representa uma economia aproximada de 5% em relação ao preço médio praticado no país. O resultado coloca o estado gaúcho na primeira posição entre as unidades da Federação com os menores preços do combustível.

Entre os fatores que explicam esse cenário estão o aumento da produção regional, a estabilidade do consumo, a concorrência entre os postos e as medidas federais destinadas a conter os efeitos da elevação dos preços internacionais do petróleo.

Porto Alegre também lidera entre as capitais

Além de apresentar a menor média estadual, o Rio Grande do Sul abriga a capital brasileira com a gasolina mais barata no levantamento da ANP.

Em Porto Alegre, o preço médio registrado é de R$ 5,91 por litro, valor R$ 0,25 inferior à média do próprio estado e R$ 0,58 abaixo da média nacional.

Santa Catarina aparece na segunda posição entre os estados, com o combustível custando, em média, R$ 6,29 por litro. Isso representa uma diferença de R$ 0,13 em comparação com o valor encontrado no Rio Grande do Sul.

Os números demonstram que os consumidores gaúchos enfrentam preços relativamente menores, embora o custo da gasolina permaneça elevado em termos absolutos.

Produção de gasolina cresce no Rio Grande do Sul

Um dos principais fatores apontados para explicar os preços inferiores é o aumento da produção de gasolina no estado.

Segundo o economista-chefe da consultoria ES Petro, Edson Silva, o comportamento dos preços está diretamente relacionado às condições de oferta e demanda do combustível.

A Refinaria Alberto Pasqualini (Refap), localizada em Canoas e pertencente à Petrobras, ampliou sua participação no refino nacional de gasolina.

De acordo com os dados apresentados na reportagem, a unidade respondeu por 11,3% do refino nacional acumulado até agosto de 2026. Ao final de 2025, essa participação era de 8,5%, o que representa uma diferença de 2,8 pontos percentuais entre os indicadores.

O crescimento da participação da refinaria ocorre em um contexto de expansão da produção pela Petrobras, que busca diminuir a necessidade de importação de combustíveis diante da valorização internacional do petróleo, associada à guerra no Irã.

Consumo de gasolina permanece praticamente estável

Enquanto a produção aumentou, a demanda por gasolina no Rio Grande do Sul apresentou crescimento limitado.

Conforme os dados da ANP, o consumo do combustível avançou apenas 0,8% no acumulado até agosto de 2026, em comparação com o mesmo período do ano anterior.

Esse comportamento indica relativa estabilidade na procura por gasolina, mesmo com a ampliação da oferta no mercado.

Edson Silva destaca que parte desse cenário pode estar relacionada à substituição da gasolina pelo etanol.

No mesmo período analisado, as vendas de etanol cresceram 16% no Rio Grande do Sul, evidenciando um aumento da utilização desse combustível pelos consumidores.

A combinação entre maior disponibilidade de gasolina e demanda praticamente estável contribui para explicar a pressão competitiva sobre os preços nas bombas.

Concorrência entre mais de 3 mil postos influencia os preços

Outro elemento apontado como relevante é a concorrência entre os estabelecimentos que comercializam combustíveis no estado.

Segundo Fabrício Severo Braz, presidente do Sindicato Intermunicipal do Comércio Varejista de Combustíveis e Lubrificantes no Estado do Rio Grande do Sul (Sulpetro), a competição entre os postos ajuda a explicar os valores mais baixos.

O Rio Grande do Sul possui aproximadamente 3.180 postos de combustíveis, que comercializam, individualmente, um volume de litros inferior à média nacional por estabelecimento.

Nesse contexto, a disputa pelos consumidores constitui mais um fator que influencia a formação dos preços.

A concorrência se soma ao aumento da produção e à estabilidade do consumo, compondo um cenário favorável a preços relativamente menores no estado.

Subsídios federais ajudam a conter os reajustes

Além dos fatores regionais, os preços da gasolina também são influenciados pelas medidas adotadas pela Petrobras e pelo governo federal.

A estatal tem evitado determinados reajustes, enquanto o governo implementou mecanismos para reduzir os impactos da valorização internacional dos combustíveis.

Essas iniciativas ocorreram em meio à pressão sobre as cotações do petróleo provocada pelo conflito no Irã.

No início de outubro de 2026, o subsídio federal destinado à gasolina chegou a R$ 0,89 por litro, conforme as informações apresentadas pelo GZH.

A medida integra os esforços para limitar o repasse das oscilações internacionais aos preços cobrados no mercado brasileiro.

Dessa forma, embora os fatores locais ajudem a explicar a liderança gaúcha no ranking de preços, as ações nacionais também desempenham um papel importante na contenção dos custos.

O que os preços representam para os consumidores

A diferença entre o valor médio da gasolina no Rio Grande do Sul e a média brasileira pode representar uma economia para motoristas que abastecem regularmente.

Considerando apenas os preços médios informados pela ANP, um abastecimento de 50 litros custaria aproximadamente R$ 308 no Rio Grande do Sul, contra R$ 324,50 pela média nacional. A diferença seria de R$ 16,50 por abastecimento.

Em Porto Alegre, o mesmo volume custaria cerca de R$ 295,50, considerando o preço médio de R$ 5,91 por litro.

Esses valores são exemplos calculados a partir das médias divulgadas e não representam necessariamente os preços encontrados em todos os estabelecimentos.

Apesar da posição favorável no levantamento nacional, a continuidade desse cenário dependerá do comportamento da produção, do consumo, da concorrência e das medidas de contenção dos preços dos combustíveis.

Para os consumidores, acompanhar os valores praticados em diferentes postos continua sendo uma forma de identificar oportunidades de economia, especialmente diante das oscilações do mercado de petróleo.

Fonte: GZH (GaúchaZH)


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