Presidente dos Estados Unidos afirma que aumento da oferta de petróleo deverá pressionar os preços para baixo, mas admite que os efeitos podem levar até dois anos.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta segunda-feira (31) que o novo acordo petrolífero firmado com a Venezuela deverá contribuir para a redução dos preços da gasolina no país. Apesar de defender que a medida terá efeito positivo sobre o mercado, Trump reconheceu que não é possível estabelecer quando a queda ocorrerá, especialmente diante das pressões atuais sobre o petróleo provocadas pela guerra com o Irã.
“No fim das contas, os preços vão cair”, disse Trump a jornalistas no Salão Oval. Questionado se a redução poderia ocorrer antes das eleições, o presidente respondeu que não poderia dar uma previsão.
Impacto sobre os preços ainda é incerto
Trump havia defendido anteriormente que o acordo com a Venezuela resultaria em preços mais baixos para os consumidores americanos. Agora, porém, o presidente reconhece que os efeitos sobre o mercado podem não ser imediatos.
Ao ser questionado sobre avaliações de analistas de que poderiam ser necessários anos para que o aumento da oferta produzisse efeitos significativos, Trump afirmou que a mudança ocorrerá rapidamente. Ainda assim, admitiu que um prazo de até dois anos seria possível.
“Se forem dois anos, sabe, isso é um período curto”, declarou o presidente.
A afirmação ocorre em um cenário de pressão sobre os preços internacionais do petróleo, agravado, segundo a reportagem, pela guerra com o Irã. Nesse contexto, a ampliação da oferta de petróleo é apresentada pelo governo americano como um dos fatores capazes de contribuir para uma futura redução dos preços dos combustíveis.
Acordo envolve mais de 65 bilhões de barris
O acordo foi anunciado por Trump na sexta-feira (28). Segundo o presidente americano, a iniciativa garante aos Estados Unidos controle majoritário sobre mais de 65 bilhões de barris de reservas comprovadas de petróleo da Venezuela.
Em publicação em sua rede social, Trump afirmou que o acordo mais do que duplicaria as reservas de petróleo dos Estados Unidos e ampliaria significativamente a oferta disponível no país. A expectativa apresentada pelo presidente é de que esse aumento da oferta provoque uma redução substancial dos preços da gasolina para os consumidores americanos nos próximos anos.
Trump classificou o entendimento como “o maior acordo de petróleo da história mundial” e afirmou que a parceria com empresas privadas poderá contribuir para o desenvolvimento econômico da Venezuela e para o fortalecimento das relações entre os dois países.
Venezuela afirma manter soberania sobre reservas
A dimensão e a interpretação do acordo também foram acompanhadas por declarações do governo venezuelano. No sábado (29), a presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, afirmou que o país continuará mantendo a propriedade e a soberania sobre seus recursos naturais.
“Venezuela conserva a propriedade e a soberania sobre seus recursos”, declarou Rodríguez em pronunciamento transmitido pela televisão estatal.
A declaração estabelece uma diferença importante em relação à forma como Trump descreveu o entendimento, especialmente ao mencionar o controle majoritário sobre as reservas. O material divulgado não apresenta detalhes adicionais sobre como esse controle será exercido nem sobre o cronograma para implementação das medidas.
Redução da gasolina depende da ampliação da oferta
A expectativa de queda nos preços está relacionada ao aumento da disponibilidade de petróleo no mercado americano. Em termos econômicos, uma maior oferta de matéria-prima pode exercer pressão de baixa sobre os preços, mas os efeitos sobre a gasolina dependem de outros fatores que influenciam a formação do preço dos combustíveis.
Por isso, embora Trump projete uma redução futura, o próprio presidente não estabeleceu uma data para que os consumidores percebam essa mudança. A possibilidade de o impacto levar até dois anos também mostra que o acordo não representa, segundo as declarações apresentadas, uma redução imediata nos preços nas bombas.
O tema ganha relevância para os consumidores americanos justamente porque ocorre em meio a um período de maior pressão sobre o mercado de petróleo. A evolução do conflito com o Irã e a efetiva ampliação da oferta proveniente da Venezuela estarão entre os fatores relacionados às perspectivas para os preços nos próximos meses e anos.
Efeitos devem ser acompanhados nos próximos anos
Por enquanto, Trump mantém a previsão de que o acordo contribuirá para reduzir os preços da gasolina, mas sem apresentar um cronograma definido. O presidente também considera possível que os efeitos levem até dois anos para aparecer de maneira significativa.
O acordo envolve uma das maiores reservas comprovadas de petróleo do mundo e estabelece uma nova etapa na relação entre Estados Unidos e Venezuela. Enquanto Washington destaca o potencial de ampliação da oferta e redução dos preços, o governo venezuelano ressalta a manutenção da propriedade e da soberania sobre os recursos naturais.
Fonte: Estadão
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